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O Silêncio na Maçonaria

O Silêncio na Maçonaria



Platão dizia a respeito de se conhecer os homens: “os homens e os vasos de terracota se conhecem do mesmo modo: os vasos, quando tocados, têm sons diferentes; os homens se distinguem pelo seu modo de falar”. No que foi complementado por Aristóteles:”a tarefa mais difícil para um homem comum é guardar um segredo e permanecer em silêncio”.


As palavras são a expressão das nossas ideias, dos nossos sentimentos e de nossas emoções, e transmitem aos ouvintes a carga de energia, positiva ou negativa, que acumulamos em nossa mente, palavras que exaltam ou palavras que magoam e ofendem o próximo.


Orientado que é para refletir sobre a realidade e sobre o significado oculto das palavras, o Maçom sabe que, em última análise, a palavra é o reflexo da essência interna do ser humano.


O silêncio na maçonaria tem por finalidade o desenvolvimento da vontade e permite atingir um maior domínio sobre si mesmo. Não esqueçamos que somente um homem capaz de guardar o silêncio, quando necessário, pode ser seu próprio senhor. Não por acaso a doutrina Maçônica recomenda o silêncio a todos os Maçons durante o período de aprendizado, de acordo, aliás, com a Escola Pitagórica, da qual a Maçonaria extraiu alguns dos Princípios que compõem o seu acervo filosófico. A Escola fundada pelo Filósofo de Samos, na cidade de Crotona, preconizava o aperfeiçoamento do ser humano pelo estudo e pela prática da meditação e tinha um sistema de três graus: o de Preparação, de Purificação e  Perfeição.


No Grau de Preparação, os neófitos eram só ouvintes, e cumpriam um período de observação, durante o qual o objetivo era, pela prática do silêncio, desenvolver a capacidade de análise e de interpretação sobre tudo que se passava ao seu redor. Para atingir o Mestrado, no Grau de Perfeição, era necessário praticar o silêncio durante cinco anos. Chilon, um dos sete sábios da Grécia Antiga, quando perguntado sobre qual a virtude mais difícil de praticar, respondia laconicamente: calar.


A imposição do silêncio não é somente uma disciplina que fortalece o caráter, é também, e principalmente, o meio pelo qual o iniciado pode entregar-se à meditação sobre os augustos mistérios que encerram as perguntas que todo o espiritualista se faz: donde vim? Quem sou? Para onde vou? Perguntas essas que o iniciado maçom defronta desde o início de sua caminhada. É também o meio de melhor observar os ensinamentos maravilhosos da maçonaria.


Em maçonaria define-se o silêncio como virtude maçônica, mediante a qual se desenvolve a discrição, corrige-se os defeitos próprios e usa-se prudência e tolerância em relação à faltas e defeitos de outros. Na maçonaria se costuma simbolizá-lo pela trolha, com a qual se deve estender uma camada de silêncio sobre os defeitos alheios, tal qual faz o pedreiro vulgar com o cimento para descobrir as arestas do edifício em construção.


O silêncio deve ser rigorosamente mantido, não por força de disposições regulamentares ou pelos ditames da boa educação e das conveniências sociais, mas para que possa ser formado o ambiente de espiritualidade, próprio de um templo da Maçonaria. Ao ajudar a formação desse ambiente, tão propício à meditação, o maçom beneficia-se a si mesmo e beneficia aos demais. A fecundação das idéias se faz no silêncio.


Poderia se pensar à primeira vista, que o silêncio poderia parecer ao Irmão Aprendiz um condicionamento e uma restrição à sua liberdade de expressão na Maçonaria; no exercitar a autodisciplina, em seu silêncio, os Irmãos apreendem com muito maior intensidade tudo o que ouvem e tudo o que veem. No silêncio, o Aprendiz dialoga consigo mesmo e, neste diálogo, ele analisa, critica e tira suas próprias conclusões: em suma, pelo silêncio, a Maçonaria estimula os Irmãos do Primeiro Grau a desenvolver a arte de pensar, que é a verdadeira e nobre Arte Real.


Esse silêncio significa que o conhecimento que o Mestre lhe transmite é absorvido sem qualquer dúvida ou reação, até o momento  em que se  torna  capaz  de emitir,  por sua vez,  conceitos superiores e que podem até conduzir ao sadio debate. Isto não significa que os Irmãos Aprendizes estejam proibidos e usar a palavra em Loja. Existem mesmo ocasiões em que não só podem, como devem se manifestar, principalmente para tratar de assunto relevante, como por exemplo, na apreciação das informações sobre os candidatos à Iniciação na Maçonaria.


O princípio do silêncio exigido dos aprendizes e companheiros tem por base filosófica: só devefalar quem sabe e, quem não o sabe deve se omitir,pois, assim, flui a sabedoria e os grandes ensinamentos, fonte dos nossos conhecimentos e alimentos para os nossos espíritos. O aprendiz maçom cultiva a virtude do silêncio, porque não tem ainda a capacidade do comentário; deve apenas ouvir, meditar e tirar as próprias conclusões, até poder compreender as lições que lhe foram administradas. Sem dúvida, constitui grande prova de disciplina para todos os maçons, quando no Primeiro Grau, ouvem os mais graduados sem que possam expressar as suas próprias opiniões sobre os assuntos tratados em Loja, o que, embora não proibido é recomendável.


O aprendizado inicial na Maçonaria é o período de meditação e de silêncio. Saber falar é sabedoria, mas saber ouvir é muito mais, pois o homem que sabe falarcom respeito, com educação, com amor, naturalmente saberá também ouvir. A visão e a audição devem ser educadas, tanto quanto as palavras e as maneiras. No Zend Avesta, que contém toda a sabedoria da antiga Pérsia, encontramos normas e regras sobre o uso e o controle da palavra, cuja universalidade desafia os séculos, e que a Maçonaria mantém.


A Maçonaria, em sua ritualística, incorpora a sacralidade da palavra que, como meio de expressão dos pensamentos e dos sentimentos, deve ser sempre dosada, moderada, e espelhar o equilíbrio interno do orador.


O maçom pensa duas vezes antes de emitir opinião, porque tem obrigação de emiti-la de forma correta e que jamais possa ofender a quem a ouve. Recorda que às vezes, o silêncio é a melhor resposta.


Ao cruzar as portas de uma Loja Maçônica, trazendo consigo os conceitos de liberdade total, os Irmãos paulatinamente aprendem a controlar os seus impulsos, aprimorando o seu caráter e preparando-se para ser mais um líder na construção da sociedade do futuro, na qual prevalecerão a Liberdade responsável, a Igualdade de oportunidades e a Fraternidade solidária.  Por isso mesmo, a prática do silêncio na Maçonaria deve ser entendida como um exercício de auto aperfeiçoamento e jamais deverá ser entendida como uma proibição ritualística.


Em sua grande sabedoria, a natureza nos deu apenas uma língua e dois ouvidos para que escutemos mais e façamos menos discursos longos, sem esquecer que são necessários dois anos para que o ser humano aprenda a falar e toda uma vida para que aprenda a ficar em silêncio. Então, se a palavra não for melhor que o silêncio, é preferível nada dizer. Quanto mais o coração é grande e generoso menos palavras se tornam úteis.


O filósofo grego Xenócrates (394 – 314) afirmava: “arrependo-me de coisas que disse, mas jamais do meu silêncio”, no entanto devemos lembrar que duas situações indicam fraqueza: calar-se quando é preciso falar, e falar quando é preciso calar-se.


Acredita-se que o silêncio, a meditação e a análise, são a única via que leva à libertação das paixões e dos maus pensamentos. Não é por acaso que a maioria dos Ritos Maçônicos reserva aos Irmãos o silêncio durante o período de aprendizado, e em alguns Ritos somente os Mestres podem usar livremente a palavra. Tal fato já acontecia na antiguidade quando Pitágoras (571 a 496 a.c) exigia o mais absoluto sigilo dos aprendizes, pelo período mínimo de três anos. Pitágoras afirmava que “quem fala semeia e quem escuta colhe”, e esta era a obrigação dos novatos.


Lembremo-nos de usar o silêncio quando ouvirmos palavras infelizes; quando alguém está irritado; quando a maledicência nos procura; quando a ofensa nos golpeia; quando alguém se encoleriza; quando a crítica nos fere; quando escutamos uma calúnia; quando a ignorância nos acusa; quando o orgulho nos humilha; quando a vaidade nos procura. O silêncio é a gentileza do perdão que se cala e espera o tempo, por isso é uma poderosa ferramenta para construir e manter a paz universal.


Os maçons trazem na memória, em silêncio, a gratificação do trabalho em união fraterna pela construção do templo interior e, certamente, o Grande Arquiteto do Universo ilumina e abençoa a todos os que pensam mais e falam menos, pois estes espiritualizam a sua matéria, e se tornam mais dignos e úteis na tarefa de tornar feliz a humanidade.


 PS: Este texto traz algumas considerações dos irmãos Valdemar Sansão e Antônio Rocha Fadista, que me antecederam neste tema.


http://www.theforbiddenknowledge.com/hardtruth/freemasons_control_world.htm


http://www.cbsnews.com/news/inside-the-secret-world-of-the-freemasons/


http://www.biblebelievers.org.au/masons.htm


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